Poetisa, militante do Movimento Negro e uma das fundadoras do Teatro do REBU.
NEGRINHA
O olhar perde-se
Infinidade de dúvidas
Ondas em cirandas
Cercando a infância
De sanhas insanas
Decepastes as bonecas
Em mares de indiferenças
Mergulhei fundo, contive
Em tuas entranhas, brincos
Brincadeiras indescritíveis
Arrastada às cozinhas abastadas
Percorri impassível entre:
Brilhos, bombril, resmungos,
Choros da criança que sou
E não era eu
O sol do meu riso
Derrama-se em felicidades ingênuas
Irascível – a ira – derrama-se
Incandescente em teu coração
Negrinha! Tiziu! Tição!
Ressoam ventos adormecidos
em desertos de sal
tu me atinges
o coração rios em chama
a margem – revolta
torrentes tempestuosas
arremessam ao infinito
tua tentativa ingênua
de romper castelos, fadas
cirandas, infância.
BRANCA HISTÓRIA
Hoje num esforço sobre humano
lutamos pela integridade do Ser
que a branca história
covardemente esfacelou.
Nossa luta deixou de ser
contra matas serradas
vegetações turbulentas
touceiras de espinhos
flechas, açoites.
Ela se dá bravamente
no asfalto, a céus claros
horizontes abertos.
No entanto hoje
não é menos intensa, imperiosa
explode ela na garganta do bóia-fria
nas veias da doméstica
e em todas as dignas bocas negras
que sobrevivem
a dizimação da abolição.
JUREMA PRETA
Ri, Jurema, Ri
Das leis que regem
a discriminação racial.
Ri e muito Ri
gargalha
Daqueles que dizem que (- De maneira
alguma!) ela é Natural
pois para eles, Só naturalmente
O Branco é o Natural.
Mas!?
se teus olhos cheiram
se teu nariz mira
se tua boca escancara um riso largo
se teus cabelos ao vento se impõem
se teus braços abraçam
se tuas pernas te conduzem
É natural que somente natural
é o que podes ser.
Então Ri, Jurema, e muito RI
gargalha
da falta de originalidade
- na naturalidade -
Do Branco O Natural.
Infinidade de dúvidas
Ondas em cirandas
Cercando a infância
De sanhas insanas
Decepastes as bonecas
Em mares de indiferenças
Mergulhei fundo, contive
Em tuas entranhas, brincos
Brincadeiras indescritíveis
Arrastada às cozinhas abastadas
Percorri impassível entre:
Brilhos, bombril, resmungos,
Choros da criança que sou
E não era eu
O sol do meu riso
Derrama-se em felicidades ingênuas
Irascível – a ira – derrama-se
Incandescente em teu coração
Negrinha! Tiziu! Tição!
Ressoam ventos adormecidos
em desertos de sal
tu me atinges
o coração rios em chama
a margem – revolta
torrentes tempestuosas
arremessam ao infinito
tua tentativa ingênua
de romper castelos, fadas
cirandas, infância.
BRANCA HISTÓRIA
Hoje num esforço sobre humano
lutamos pela integridade do Ser
que a branca história
covardemente esfacelou.
Nossa luta deixou de ser
contra matas serradas
vegetações turbulentas
touceiras de espinhos
flechas, açoites.
Ela se dá bravamente
no asfalto, a céus claros
horizontes abertos.
No entanto hoje
não é menos intensa, imperiosa
explode ela na garganta do bóia-fria
nas veias da doméstica
e em todas as dignas bocas negras
que sobrevivem
a dizimação da abolição.
JUREMA PRETA
Ri, Jurema, Ri
Das leis que regem
a discriminação racial.
Ri e muito Ri
gargalha
Daqueles que dizem que (- De maneira
alguma!) ela é Natural
pois para eles, Só naturalmente
O Branco é o Natural.
Mas!?
se teus olhos cheiram
se teu nariz mira
se tua boca escancara um riso largo
se teus cabelos ao vento se impõem
se teus braços abraçam
se tuas pernas te conduzem
É natural que somente natural
é o que podes ser.
Então Ri, Jurema, e muito RI
gargalha
da falta de originalidade
- na naturalidade -
Do Branco O Natural.

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